I don't wanna be kept, I don't wanna be caged, I don't wanna be damned, oh hell I don't wanna be broke, I don't wanna be saved, I don't wanna be S.O.L. (Neon Tiger, The Killers)

Saturday, July 30, 2011

Mar e Folha

Vou mergulhar nesse espelho d’água
Brindar no cálice do sal da terra
Viajar em seu navio de prata
Yemanjá, madre pérola




Em meio ao mar de corpos em transe. Compasso alucinógeno de ondas de som e fúria.


Um Iroko altivo, cria de algum lugar de afora daqui. Caminhava e era mais cadência que aquele tecnoabsurdo dos corações dançarinos. Ele andava em samba, slow motion comopolita da pista.





Ao deparar-me com árvore frondosa em seu peito quando me abraçou sem aviso, tudo menor a minha volta emudeceu por um instante. Me colou os lábios aos dele e me sussurrou-sorriu que desejava se enroscar em meu cabelo. Suas mãos-galhos em minha cintura eram cadeias bandeiras brancas ao redor de meu corpo líquido e vertigem.




Naquela noite Homens-coruja, e homens-cão, mulheres-flor, homens-pássaro à mim pediram dom e bênção. Bênção, a um concedi breve beijo, beijou-me a flor, dom por duas vezes, porém, nada além pude por eles.


Eu água, leve e móvel, ainda que agitada pelo homem-terra não pude estar mais que alguns minutos junto à Kitembo-Virgo que me atava, fui-me fluida ao som da hipnose e dos espíritos que habitam os seres, em meu curso de maré.



Aquele, deu à mare seu tempo de volta. O tempo da maré se cumpriu me uni à gameleira finalmente no doce da alta, e não mais pude tirá-lo de mim.


Assim mãe-água levo comigo o vermelho do solo, levo meu Tempo fundido em mim.

O deus da folha já se entranha em minha alma, até que novas terras ou novas águas diluam o sal, ou até que a terra dessa bahia seja solo eterno a ser beijado na maré.

Zaratempô
Eh Tempo Macura Ilê
Eh Tempo Macura Tata

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