Há tempos entre uma e outra dissertação da faculdade sobre identidades em literaturas de países de cultura pluriogirinal, me deparei com os conceitos modernos de gente bacana como Stuar Hall sobre identidade.
Pode parecer academicismo de boteco, e provavelmente é, pois isso me ocorreu justamente entre tres Heineken e uma tequila na tão afamada Rua Augusta, a mãe de todos nós, mas é incrível como as pessoas hoje são cada vez menos compreensíveis cartesianamente, e cada vez mais propensas a julgar os outros por métodos cartesianos:
Vejo, logo julgo!
Eu ali imaginando as experiências que formaram o ser latino com a semi-barba cuidadosamente pensada para parecer que não era aparada há meses, e a camisa cara e pretensiosamente despojada, que me servia outro copo de cerveja enquanto me perguntava sobre a tese de mestrado e música enquanto olhava sem sutileza para o meu decote. Pensava eu nessa hora que todos nós somos compostos de camadas e camadas de vernizes, como esmaltes baratos nas unhas de velhas coristas.
Experiências formadoras de comportamentos e opiniões que são mais ou menos eficazes a depender da audiência ou de quanto ela é capaz de beber. O truque da pomba em meio aos lenços pode ou não funcionar com uns ou com outros.
A interpretação que damos para gestos simples como a sutileza ou o tom de voz, dresscodes ou makeups é incrivelmente vária.
Um homem delicado e inteligente é facilmente confundido com um homossexual e vira um amigo ótimo e sempre segura o drink enquanto a gata target pega o troglodita testosterônico mais óbvio.
Mulheres inteligentes, decididas e que gostam de tomar a iniciativa, são comumente confundidas com ninfomaníacas desesperadas e sem auto-estima, que nunca recebem o telefonema do gato lindo no dia seguinte.
A grande ironia disso é homens dizendo adorar mulheres com iniciativa e mulheres dizendo amar homens sensíveis.
O que não seria um grande problema se o discurso identitário correspondesse à atitude identitária.
Mulheres inteligentes, decididas e que gostam de tomar a iniciativa, são comumente confundidas com ninfomaníacas desesperadas e sem auto-estima, que nunca recebem o telefonema do gato lindo no dia seguinte.
A grande ironia disso é homens dizendo adorar mulheres com iniciativa e mulheres dizendo amar homens sensíveis.
O que não seria um grande problema se o discurso identitário correspondesse à atitude identitária.
Será que temos medo de agir conforme o discurso? Será que a teoria na prática é outra? Ou será que não temos mesmo a mínima idéia do que queremos?
O que sei é que minha personalidade é composta de vestidos de baile, adereços a algo que é intrínseco e cerne, quem entende o cerne entende o adereço, e o porque dele naquele baile, e me convida pra dançar, a noite toda, a vida toda, sem sapatinho de cristal.



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